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Prateleira vazia

21
Nov21

Cérebro a derreter

Margarida

As últimas semanas foram complicadas.

Todo este mês foi um inferno infindável de testes, aulas e trabalhos que, semana após semana, acabou por me fazer sentir como um Sísifo moderno. Os fins de semana deixaram de ser fins de semana e metamorfosearam-se apenas numa continuação de estudo e trabalho, que parecia estar sempre em atraso, por muito esforço meu. Isto contribuiu para que os dias se tornassem num emaranhado indistinguível de horas e rotinas.

A minha necessidade de tentar alcançar sempre o perfecionismo a nível académico acaba sempre a corroer-me a alma aos poucos nas alturas de maior densidade de trabalho, apesar da relativa facilidade que tenho em apanhar matéria. Acabo por ter de deixar de lado outras coisas e, infelizmente, a leitura nunca se safa. Estou há 1 mês a ler 2 livros: ter iniciado um livro enquanto já estava a meio de outro também não se revelou muito inteligente da minha parte, mas quando o fiz tinha tempo para os dois. O aspeto social da minha vida ainda se vai salvando, felizmente. Se me isolasse completamente aí sim, tudo descambaria e daria completamente em louca.

Espero ansiosamente pelo final deste mês; dezembro será mais calmo e com mais tempo para poder ficar na relva a ler e a apanhar todo o sol de inverno que consiga (tudo isto ignorando, de forma ingénua, a grande probabilidade de estar a chover a maior parte dos dias).

Também tenho uma vontade extrema de ir a uma discoteca dançar até de madrugada, um método de escape menos saudável mas certamente mais eficaz para descontrair. Haverá tempo para todos os extremos.

Fica aqui este desabafo de alguém cujo cérebro, atualmente, é semelhante a uma papa de bebé incolor e homogénea e já meio incapaz de formar pensamentos coerentes.

Deixo-vos com uma citação do Frankenstein, de Mary Shelley, um dos livros que está na minha mesa de cabeceira:

"The untaught peasant beheld the elements around him, and was acquainted with their practical uses. The most learned philosopher knew little more. He had partially unveiled the face of Nature, but her immortal lineaments were still a wonder and a mystery."