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Prateleira vazia

10
Set21

Kiki's Delivery Service e o conforto da repetição

Margarida

Tenho o hábito terrível de, quando estou particularmente ansiosa, rever certos filmes. Tenho até uma pasta no computador completamente dedicada aos que costumo escolher nesta situação, para lhes ter o acesso mais facilitado. Ora bem, um dos que consta nesta lista é Kiki's Delivery Service.

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Esta publicação vem motivada pelo facto de ter acabado de ler The art of Kiki's Delivery Service, um livro (podem encontrar aqui a sua página no GoodReads) lançado pelo Studio Ghibli onde se explora todo o processo criativo por detrás do filme, desde a mensagem às paletas de cores utilizadas. Existem vários livros desta coleção, cada um abordando um filme diferente do estúdio: recomendo vivamente para os fãs. Esta leitura fez-me refletir um pouco sobre o porquê de ter tanto amor para com esta realização cinematográfica há já tantos anos.

Devo ter visto este filme pela primeira vez com cerca de 11 anos. Desde aí, provavavelmente já o revi uma dezena de vezes e, em nenhuma delas, a magia e o esplendor desapareceram. É um escape instantâneo de todas as minhas preocupações.
A premissa é relativamente simples: seguimos uma jovem bruxa, Kiki, que, ao chegar aos 13 anos, sai de casa na sua vassoura voadora com o seu gato Jiji, com o objetivo de treinar os seus poderes mágicos. Chega a uma nova cidade, onde não conhece ninguém, e aí se dá todo o desenrolar do filme.

A animação é belíssima e todas as paisagens e cenas são dignas de um emolduramento a rigor. Para além disso, uma pequena curiosidade é de que Lisboa foi uma das cidades nas quais a equipa do filme se inspirou para a criação da cidade onde Kiki habita.

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Para mim, o tema principal deste filme é o crescimento, o lento chegar à idade adulta e às responsabilidades que dela advêm. Kiki perde, temporariamente, os seus poderes e isola-se, sentindo-se completamente perdida do mundo e de si mesma. Esta é uma adolescente e, como tal, está a descobrir a sua própria identidade e lugar no mundo, aquilo que realmente a torna nela mesma. Quando perde a sua magia, a perceção de si mesma é completamente fraturada e o processo até se conseguir re-estruturar é doloroso.
O filme termina numa nota esperançosa: existirão sempre alturas difíceis, mas cabe a cada um de nós ter a coragem para as enfrentar de modo a sairmos delas melhores pessoas.

É a mensagem positiva o que constantemente me re-atrai de novo a esta peça. O lembrete tão simples de que é normal existirem momentos maus. As dificuldades pelas quais a nossa protagonista passa são-me sempre tão pessoais e consigo ver nela partes de mim que me trazem alguns conflitos interiores. 

Se precisarem de descansar, esta é a minha recomendação para vocês. Façam-se esse favor a vocês mesmos e a mim, que tanto gosto tenho em partilhar algo especial.

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