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Prateleira vazia

18
Mai23

The Song of Achilles - Madeline Miller

Margarida

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We were like gods, at the dawning of the world, and our joy was so bright we could see nothing else but the other.

Ouvi falar sobre este livro pela primeira vez há vários anos. O meu interesse foi rapidamente despertado por se tratar de uma adaptação da história mitológica (tema pelo qual tenho especial interesse) de Achilles e Patroclus. Infelizmente, só comprei o livro no ano passado e ele só foi iniciado há uns meses. No entanto, transformou-se num favorito instantâneo.

The never ending ache of love and sorrow. Perhaps in some other life I could have refused, could have torn my hair and screamed, and made him face his choice alone. But not in this one.

Ora, o livro conta-nos uma versão adaptada da história de Achilles, o melhor dos guerreiros Gregos, e de Patroclus, o seu companheiro. Seguimo-los desde as suas infâncias até às suas mortes, tragicamente inescapáveis e predestinadas pelas moiras. Na versão original da história, na Ilíada, não existem afirmações diretas de que os dois homens estão romanticamente envolvidos. No entanto, nesta história, os dois são mais que companheiros de guerra, e têm uma relação. Todo o livro é narrado do ponto de vista de Patroclus, mero mortal deserdado pelo pai (que era rei), que segue Achilles com fascínio, amor e admiração, quase desde o momento em que se conhecem. 

He is half of my soul, as the poets say. He will be dead soon, and his honour is all that will remain.

Aviso: se gostam de romances tristes, este é para vocês. Mesmo sem se sabendo a história original, parece que desde o início do livro existe uma sensação de desgraça e tragédia iminente. Esta sensação vai-se esquecendo um pouco pelo meio, através dos momentos felizes que os dois rapazes partilham até à vida adulta e à ida para a Guerra de Tróia. No entanto, rapidamente voltamos a ser relembrados do destino que se assombra. 

Mas, não deixem a tristeza da história assustar-vos. O livro está escrito de uma maneira tão bonita e poética que torna a desgraça vivida em algo quase belo. É impossível largá-lo no meio de tantos sentimentos profundos tão bem descritos. As páginas passavam e eu simultaneamente queria parar, para não o acabar muito rápido, e continuar durante horas para ler as descrições lindas de Madeline Miller. Foi por isto que digo que se tornou num favorito.

Outro dos fatores que mais gostei no livro foi o facto de ser narrado por Patroclus. Patroclus tem um início de vida difícil e trágico, que molda e afeta para sempre a sua visão do que o rodeia. No entanto, é interessante vê-lo a apaixonar-se por Achilles, abençoado pelos deuses, ouvir as suas narrações de uma guerra épica enquanto não lutador e ver como lida com o destino que os deuses lhe prometeram. 

Fico feliz por, após vários anos, finalmente ter comprado e lido este livro. São histórias como estas que trazem prazer ao ato de ler e relembram do quão bonitas as palavras podem ser.

Was this the son you preferred to Achilles? Her mouth tightens. 'Have you no more memories?' I am made of memories. 'Speak, then.'