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Prateleira vazia

23
Set21

Tudo são histórias de amor - Dulce Maria Cardoso

Margarida

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De nada sei mais poderoso que a doce prisão do amor que ao nos atar a outro, outro nos faz. De nada sei mais pesaroso do que não poder completar quem de tão desprotegido nos faz seu. Oh, como é cruel conhecer o amor de tão desencontrada maneira.

O amor é um assunto clichê na cultura. É difícil fugirmos dele nas músicas, filmes, séries e livros que nos rodeiam diariamente. Mesmo assim, com este bombardeio amoroso constante, poucas foram as vezes em que o vi retratado de uma maneira simultaneamente tão bonita e tão profundamente desconcertante. 

Tudo são histórias de amor é um livro de contos da autora portuguesa Dulce Maria Cardoso. Apenas descobri a sua escrita no início deste ano: comprei O retorno e li-o com uma velocidade estonteante para o que é o meu hábito, tal foi o interesse que em mim despertou. A escrita da autora é hipnotizante e deixa-me colada até ao último ponto final. É sempre um prazer poder ler mais do que ela escreve e tenho como objetivo colecionar todos os seus livros, já me apercebi que dificilmente saírei desiludida de algum deles.

Apiedados, os deuses acederam prontamente a ambos os desejos, mas fingiram não ouvir o terceiro por ser de impossível execução: que nunca ninguém mais pudesse deixar-se morrer por amor

O amor retratado nestes contos está, muitas vezes, retratado de uma maneira tóxica e perturbadora, que mexe connosco e nos obriga a fechar o livro durante uns minutos para interiorizar aquilo que acabámos de ler. Alguns exemplos dos que assim me fizeram sentir são Desaparecida, ou a Justiça, Humal e Retrato de um Jovem Poeta. Outros menos obscuros mas que se destacaram tanto ou mais como estes foram Este azul que nos cerca, Tudo são histórias de amor e Coisas que acarinho e me morrem entre os dedos; todos visões tão diferentes de um sentimento comum. Se já leram esta obra, quais os contos que mais vos marcaram?

Uma frase recorrente ao longo do livro é Tudo o que não vivi, li. Espero ter o prazer que é poder continuar a viver livros tão bonitos e marcantes como este, que tanto bem me fazem. 

 

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